terça-feira, 14 de julho de 2009

[ Origami e Clarice Lispector ]

Beatriz Alonso Aranzábal produz curtas e o seu último se intitula Papiroflexia (2009).

O primeiro texto é o início do conto Perdoando Deus:

Eu ia andando pela avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre.

O segundo texto é o início do conto Ruído de Passos do livro Via Crucis do Corpo:

Tinha oitenta e um anos de idade. Chamava-se dona Cândida Raposo. Essa senhora tinha a vertigem de viver. A vertigem se acentuava quando ia passar dias numa fazenda: a altitude, o verde das árvores, a chuva, tudo isso a piorava. Quando ouvia Liszt se arrepiava toda. Fora linda na juventude. E tinha vertigem quando cheirava profundamente uma rosa.

3 comentários:

Lena Casas Novas disse...

Nooossa.Esse Blog é muito interessante!

Achados&Perdidos disse...

Obrigada, Lena.
Volte sempre!
Tereza

Sinsellos disse...

Hola Tereza y Luiz, os agradezco la inclusión de Papiroflexia en vuestro blog, y ya he incluido esta reseña en la web del corto http://www.cartas-sin-sellos.com/papiro2.htm

(disculpad que no escriba en vuestro idioma)

Muito obrigada
Beatriz